domingo, 11 de setembro de 2011

... estavam procurando um servo e ele se manifestou sem hesitação. JESUS o servo!


Estive refletindo sobre a caminhada  cristã, o que ela realmente significa pra mim e me lembrei de um dos textos do evangelho de João que mais falam comigo. Parece que escutei a voz de Deus em meus ouvidos dizendo: Vai e lava os pés dos meus filhos! Se você entendeu a palavra, se entendeu o chamado, vai e anuncia. Meu coração se encheu de alegria e estou aqui pra compartilhar com vocês aquilo que Deus tem colocado no meu coração.
           Evangelho de João 13 . 3-17













Parece-me que próximo ao momento da última ceia, levantou-se uma questão entre os discípulos: Qual de nos é o maior? E nesse momento em particular Jesus observou que o coração dos seus discípulos estava cheio de ambições e ciúmes, não estavam prontos para a Ceia, para participar com ele dos momentos decisivos. Seus corações estavam manchados e precisariam de uma atitude drástica.

Para os discípulos lavar os pés de Jesus talvez fosse uma honra, mas lavar os pés uns dos outros... Uma atitude como essa poderia revelar uma submissão ao outro, demonstrar que era menor que o outro, servo do outro. Realmente não era dessa forma que gostariam de ser reconhecidos, pelo contrário tentavam descobrir quem era o maior e conseqüentemente descobririam quem era o menor, ou seja, o servo, estavam procurando um servo e ele se manifestou sem hesitação. JESUS o servo.
Muitas vezes somos tentados a pensar e viver como os discípulos. Acreditamos que somos melhores que os outros, perdemos o foco de nosso verdadeiro objetivo. Somos tentados a deixar nossa simplicidade nos achamos merecedores da graça divina, encostamos Deus na parede. Pensamos que nosso sofrimento é maior que o dos outros. Idealizamos nossos sonhos, sem incluir nosso próximo, pelo contrário muitas vezes achamos que ele deve nos servir.
Jesus quer ensinar, mas, não o faz somente com palavras ao contrário demonstra com suas atitudes, com ações concretas tudo o que se deve ser como servo. Tirou a vestimenta de cima, assim como se despiu de sua glória. Assim como se faz com as crianças: ele ilustrou e deixou como símbolo, pegou a toalha, a bacia, a água e sem hesitar começou a lavar os pés aos discípulos e enxugava com a toalha, de forma servil ( pois o servo, escravo  é quem fazia essa função),
Talvez os outros discípulos também estivessem achando absurda a atitude de Jesus, mas Pedro na sua impulsividade que é conhecida por nós é o único que faz a pergunta: Senhor, tu me lavas os pés a mim? O mestre, o senhor fazendo a tarefa de um servo? Isso era inconcebível. A atitude de Pedro demonstrava toda a reverencia que se tinha para com Jesus.
Mas se estavam chocados Jesus tinha atingido seu alvo, uma lição inesquecível estava sendo ensinada.
E toda a reverencia que Pedro demonstrara por Jesus se transforma e se mostra nesse versículo em forma de obstinação, orgulho e convicção de uma justiça própria. Para Pedro Jesus não poderia abaixar para limpar seus pés porque era superior, esse ato não estava a altura da dignidade pessoal do Cristo, o Salvador e por isso mesmo ele não concordava também com o seu sacrifício de cruz. Enfim Pedro tinha suas próprias convicções e quando determina enfaticamente NUNCA! O que observamos é que não está muito interessado na vontade de Jesus e sim na sua própria.
Muitas vezes estamos como Pedro – Situações são colocadas diante de nós e nossa reação no afã de proteger a Palavra/ a igreja / nossas próprias vontades não conseguimos corresponder ao desafio de Jesus. O questionamento é você está disposta(o) a viver a vontade de Deus? Ou como Pedro está respondendo enfaticamente NUNCA!
Jesus respondeu a Pedro e nos respode hoje: Se eu não te lavar, não tens parte comigo, os que não querem se sujeitar a vontade de Jesus, não tem parte com ele. Sem amor e obediência, não podemos ser reconhecidos como propagadores do evangelho. Sem ser lavado pelo Senhor Pedro não poderia participar da ceia e não aprenderia a lição tão especial que Jesus havia preparado HUMILDADE!
Por andarem com Jesus, os discípulos já haviam absorvido o principal sentido da mensagem. Jesus conhecia o sentimento dos seus amigos e discípulos, suas boas intenções. O lava pés era a ação de limpar os sentimentos de ambição, orgulho e inveja que os alcançou no caminho.
Da mesma forma hoje ele quer que  nos conheçamos e a nossas falhas, nossas limitações e imperfeições. Quer que tenhamos consciência de que precisamos lavar nossos pés todos os dias deixando de lado tudo o que nos afasta da sua vontade e através desse reconhecimento estejamos dispostos a lavar os pés dos nossos irmãos ( e aqui falo de serviço / de considerá-los superiores a nós mesmos). Esse deve ser nosso exercício diário, nosso desafio de hoje e de sempre, entender a principal lição de Jesus, a principal lição do cristianismo: Amor e Humildade.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

AMOR PRA RECOMEÇAR


Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo...
E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante...

Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um
Você possa confiar
E que tenha até
Inimigos
Prá você não deixar
De duvidar...

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...

Eu desejo!
Que você ganhe dinheiro
Pois é preciso
Viver também
E que você diga a ele
Pelo menos uma vez
Quem é mesmo
O dono de quem...


Eu desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar...

Frejat

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vida minha...

Com a cabeça cheia de projetos.
Uns viáveis, outros nem tanto,
alguns outros impossíveis!
Mas são dessas construções e
desconstruções que faço minha vida
não me deixo levar pelas dores e desencantos
Sigo lado a lado com a esperança,
vivendo cada dia como se fosse único
amando mais, sorrindo mais,
sofrendo e chorando mais,
 mas me sentindo mais viva e completa!


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

"Amizade" (Aos amigos de ontem, hoje e sempre) ...



Estive pensando no significado de algumas palavras entre elas “amizade”.  
Minha conclusão é que amizade verdadeira não acaba dura pra sempre, o tempo não apaga, mesmo na distancia não esquecemos, que maldade alguma poderia destruir.
Comecei a construir um pensamento em relação a nós e fiquei surpresa com o que encontrei dentro de mim.  Lembrei das suas críticas em relação a minha personalidade e como posso ser independente e sozinha. 
Sim. Sou muito exigente com pessoas e seus sentimentos. Qualquer passo em falso, pode significar um adeus! Minha tolerância é baixíssima e é muito difícil aceitar os erros dos outros.
Sou tão dependente de mim mesma que às vezes esqueço que para me relacionar é preciso tempo, paciência e muito bom senso.
Quer saber, nas horas em que as coisas dão errado, não tem loja autorizada que dê jeito nos defeitos, nos problemas. No máximo temos o ombro um do outro pra chorar e quem sabe recomeçar.
No fundo eu sei que grande parte dos meus posicionamentos são maneiras mais rápidas e baratas de auto proteção. Sinto medo de me machucar profundamente e ao primeiro sinal de perigo tiro meu time de campo evitando dores profundas.
Acredito que essa é uma oportunidade para olhar pra dentro de mim mesma e repensar sobre quem eu sou e o que estou buscando de verdade. Daqui pra frente, tenho consciência de que meu círculo de amizades irá diminuir e me perguntei se que quero perder aquelas que são tão importantes pra mim hoje.
A amizade não acontece de uma hora pra outra, são atitudes, palavras, encontros e desencontros. Que são fortificadas com o tempo e que nada pode apagar.
Sinceramente não quero substituí-lo por nada e ninguém, como costumo fazer normalmente.
Quero que você esteja presente na minha vida mesmo quando a distancia nos separar, quero compartilhar meus sonhos e dividir meus projetos. Quero levar nossa amizade para toda vida. Quero poder estar do seu lado quando você se sentir sozinho e que você saiba que pode contar com um sentimento sincero.
Como são divertidos os momentos que passamos juntos. Fazendo coisas muito legais, ou fazendo nada. São sempre os nossos momentos.
Com esse exercício estou aprendendo que minha flexibilidade não tem a ver com fraqueza, ou com falta de personalidade, pois tomar essa decisão desde escrever, até enviar, exige de mim uma força sobre humana. Isso se chama maturidade. E por mais que me sinta entristecida e magoada, diante de qualquer situação, todos os lados devem ter a oportunidade de se colocar e se justificar. Alternativa que eu sempre nego.
Sei que tenho o direito de sentir raiva, mas sei que não tenho o direito de ser cruel. Não quero mudar de amigo sempre que houver um problema, mas compreender as mudanças que podem e devem ocorrer em minhas relações. E independente de sentir meu coração partido, sei que o mundo não espera o conserto então, mãos a obra pq o tempo não para e não volta atrás.
Talvez pelo amadurecimento, começo a refletir sobre esse tempo que temos pra estar ao lado de quem nos faz bem e de quão rápido elas podem ser tiradas de nós, por isso é bom sempre dizer coisas das quais nos orgulharemos. E apesar de qualquer situação adversa que tenha influencia sobre nós, somos responsáveis por nós e por cada decisão que tomamos.
Já que adquirir paciência é um exercício e que exige prática, se você achar que é importante gostaria de nos dar uma nova oportunidade. Por que pra mim importante é quem eu tenho na vida. Vai levar ainda algum tempo, para me tornar a pessoa que quero ser, e a cada momento sinto que tenho menos tempo.
Quem sabe com essa situação eu aprenda que posso realmente suportar... Que sou forte e que posso ir além, bem mais longe do que imaginei. Então é isso, aí está o meu coração, aberto. Talvez minha iniciativa não altere o mundo, mas minha vida sim. Totalmente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Meus amigos

"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila,
que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto..."
Fernando Pessoa

Caminho e construção



O amadurecimento não é comprovado 


pela idade que temos,


mas pelas experiencias que vivemos 


e como as superamos


Pela capacidade de compreender que todos erram


e por isso todos merecem uma segunda chance


Que flexibilidade não tem a ver com fraqueza 


ou falta de personalidade


mas é a oportunidade de decidir a vida com companhia



Pq ninguém constrói nada verdadeiramente


significativo sozinha




quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Um dia a mais...



Sem muitas expectativas sem muitas esperanças...
Apenas vivendo cada momento como se fosse o último
É como ando ultimamente,
Sem medo de perder, sem medo de errar
Sem medo de sorrir ou até de chorar
Acho que assim a vida vale bem mais a pena!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

" Feito pra mim"


" Eu queria sair por aquela porta e conhecer alguém. Assim, sem precisar procurar no meio da multidão.
Alguém comum, sem destaques evidentes, sem cavalos brancos ou dentes perfeitos.
Alguém que soubesse se aproximar sem ser invasivo ou que não se esforçasse tanto para parecer interessante. 
Alguém com quem eu pudesse conversar sobre filosofia, literatura, música, política, teologia ou simplesmente sobre o meu dia. 
Alguém a quem eu não precisasse impressionar com discursos inteligentes ou com demonstrações de segurança e auto confiança. 
Alguém que me enxergasse sem idealizações e que me achasse atraente ao acordar, de camisa amassada e sem maquiagem.
Alguém que me levasse ao cinema e, depois de um filme sem graça, me roubasse boas gargalhadas. 
Alguém de quem eu não quisesse fugir quando a intimidade derrubasse nossas máscaras. 
Eu queria não precisar usá-las e ainda assim não perder o mistério ou o encanto dos primeiros dias. Alguém que segurasse minha mão e tocasse meu coração. 
Que não me prendesse, não me limitasse, não me mudasse. 
Alguém com quem eu pudesse aprender e ensinar sem vergonhas ou prepotências. 
Alguém que me roubasse um beijo no meio de uma briga e me tirasse a razão sem que isso me ameaçasse. Que me fizesse críticas e que eu falo demais e que risse das vezes em que eu fosse desastrada. 
Alguém que me olhasse nos olhos quando fala, sem me deixar intimidada. 
Que não depositasse em mim a responsabilidade exclusiva de fazê-lo feliz para com isso tentar isentar-se de culpa quando fracassasse. 
Alguém de quem eu não precisasse, mas com quem eu quisesse estar sem motivo certo. 
Alguém com qualidades e defeitos suportáveis. 
Que não fosse tão bonito e ainda assim eu não conseguisse olhar em outra direção. 
Alguém educado, mas sem muitas frescuras. 
Engraçado e, ao mesmo tempo, levasse a vida a sério, mas não excessivamente. 
Alguém que me encontrasse até quando eu tento desesperadamente me esconder do mundo. 
Eu queria sair por aquela porta e conhecer alguém imperfeito. 
“Feito para mim.”


(Ps: A melhor coisa ao que ler esse texto e saber que eu já encontrei alguem assim, imperfeito, mas feito pra mim.)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O que importa de verdade...


“Na mulher interessante a beleza é secundária, irrelevante e até mesmo desnecessária. 
A beleza morre nos primeiros quinze dias, num insuportável tédio visual.
 Era preciso que alguém fosse de mulher em mulher anunciando: ser bonita não interessa, seja interessante.”

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pra quem deixou de ser amigo ... Por Elienai


Não sei se você é mais meu amigo. Hoje, dia de lembrar que não dá pra esquecê-lo, duvidei de você, ou do que tenho te chamado. Amigo. De repente já não aceito mais sua amizade. Já chamei gente demais de amiga. Gente por quem passei. Falo com dor. Passei por tanta gente boa que não posso deixar de chamá-los de amigos. Passei por suas lembranças, doces e queridas, mas muitas já quase apagadas. Retratos de uma passagem, flagrantes do que não é mais. Imagens doces, mas imprecisas. Que pena! São meus amigos aqueles que o tempo borrou suas imagens. Desenho de uma saudade que não mais tenho.

O que importa agora é que você deixou de ser meu amigo. Não sei quando e é isto que me cura. Chamo de amigas as pessoas de quem sinto uma estranha saudade por não mais sentir falta, apenas saudade. Mas estas, basta bater a poeira das parcas memórias, sei exatamente quando se tornaram minhas amigas. Foi no dia em que nos despedimos e eu, de novo, passei por elas. Meu desconforto neste dia que não deveria existir no seu caso, já que estas datas são coisas de amigos, gente que precisa se lembrar do que se importar, é de que sei exatamente quando e onde fui impedido de chamá-lo de amigo. Curioso! Também em uma despedida. Ali eu já duvidava do que só hoje descobri, jamais seríamos amigos.

Não quero nunca mais chamá-lo de amigo. Também o proíbo, já que não o é, de que assim me chame. Não gosto do que penso quando a alguém chamo de amigo. Melhor, quando chamá-lo não lhe darei nomes. Apenas direi seu nome e calarei. Faça o mesmo. Beberemos e comeremos juntos. Falaremos de nossos amores e de quantos amores nos deram. Jogaremos ping-pong e sinuca. Correremos. Oraremos nossas poesias. Cantaremos nossas prosas. Depois, quando tivermos que nos chamar de alguma coisa, ficaremos em silêncio e eu reverenciarei aquele por quem não passei. Graças a Deus! Já tava na hora! Despedi-me à toa de alguém. Não há flagrantes embaçados. Nem de fotos precisamos. São insuficientes as imagens e os nomes. Tenho você na alma. Os amigos, tenho nas fotos. Ah! Também não tirarei mais fotos suas.

Parabéns pelo dia que não preciso para lembrar de você.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

VIVER ESPERANDO, VIVER PELA ESPERANÇA!!!




“Vivemos esperando
Dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos
Para trás"
Jota Quest

Escolhi esse trecho da música do Jota Quest para tentar explicar um pouco as minhas inquietações. Nos dias atuais, vemos um esvaziamento da esperança e diante de uma sociedade injusta e sectarista podemos verificar certa semelhança com o povo de Israel ao escrever a narrativa da criação no livro do Gênesis.

Nossa realidade hoje é permeada por relações econômicas excludentes, que sacrificam sem dó nem piedade em seus altares os seres humanos despossuídos, tornando-os vítimas de um sistema cruel e desigual. Pessoas que todos os dias recebem uma enxurrada de informações duvidosas, que coisificam gente, obrigando-as fazerem um esforço sobre-humano para sobreviver.

Mas nosso povo não se abala e enquanto são violentados por esse sistema cruel, eles partem em direção a luta, na intenção de amenizar o sofrimento daqueles que virão posteriormente. Filhas (os) e filhas (os) das filhas(os). A música vem bem ao encontro do que estou dizendo. Vivemos esperando porque essa esperança é a nossa comida e a nossa bebida, essa esperança nos move em busca de transformações, essa esperança nos faz crer que ainda existe amanhã.

E esperamos por dias melhores , apesar dos donos do poder tentarem sufocar a voz, o grito está ecoando, apesar de toda a dor e todo o sangue, apesar de toda a luta e todo o sofrimento, apesar das angústias e da opressão. O grito é: Não nos entregaremos, não abriremos mão da esperança!

Essa luta é por dias de paz e os dias a mais, dias em que o direito a diversidade será uma verdade, porque hoje a vida é uma total insegurança. É uma busca por dignidade e autonomia, por respeito e aceitação das diferenças, pela não criminalização dos pobres e igualdade de oportunidades. A violência é um problema grande que atinge muito brasileiros, especialmente os que citei anteriormente: os excluídos do sistema econômico vigente.

A Bíblia nosso livro de fé, é usado muitas vezes como instrumento de opressão e algumas pessoas fazem questão de levianamente levar ensinamentos contrários ao cristianismo, criando com isso comunidades que não tem clareza na interpretação dos textos. Assim promovem a idéia comum do sistema: individualismo! Os ditos cristãos interpretam a vida com Deus, como uma vida sem participação na sociedade civil, sem direitos e sem deveres. Como se os anseios fossem diferentes, sem entender as palavras de Jesus, sobre vida abundante.

Ao contrário disso tudo o que a Bíblia promove desde o início em suas primeiras páginas e até o fim, revela uma grande preocupação com a dignidade humana. Ela se encarrega de promover situações de libertação e conquistas de igualdade social. Além de uma série de outras realizações em prol da pessoa humana, denunciando toda forma de opressão e violência.

O livro do Gênesis caminha exatamente nessa direção. Com uma linguagem simbólica, ele fala sobre a esperança do povo de Israel, não pode ser lido como um texto científico, como alguns tentam hoje fazer, mas deve ser entendido como uma forma que o povo tinha para dar forças e para continuar sua dura caminhada.

Em uma perícope que afirma veementemente que até Deus descansou ao sétimo dia, podemos compreender o anseio de um povo que está fora de sua terra, de sua casa e em situação de opressão e escravidão na Babilônia. Conta em seus versos sobre a necessidade de poderem descansar em determinado período, denuncia o trabalho forçado, escravo. Tornam-se profetas!

A sua fala sobre o sábado fica clara ao lermos esse texto e em sua situação desigual, já que os babilônicos não se guiavam pela semana ela vem como uma exigência. E podem se fiar em seu Deus para legitimar a justiça, quem obedece aos babilônicos, desobedece a Deus, que promove a vida oferecendo descanso para mãos e para o corpo. Quem vive distante da ordenança de Deus está assumindo a posição de idolatria.

Além disso há uma forte questão religiosa em jogo, a discussão sobre a autoridade dos deuses da luz (sol, lua e estrelas). Esses astros eram para os babilônicos deuses sendo o sol o principal. Sentiam-se representantes dele e com no seu poder bélico combatiam a outros povos massacrando-os.

O texto de Gênesis vem trazer novamente a esperança tão necessária à vida. Revelando o poder de Deus (Javé), sobre todos os astros, quem são as estrelas, a lua ou mesmo o sol para que o povo tema. O Deus do povo de Israel é o próprio criador de todas essas coisas, com sua voz o mundo passa a existir. Desfazendo a simbologia que dava legitimidade aos babilônicos e animava suas conquistas. Agora o povo se anima e vê novas possibilidades.

Não é diferente nos dias atuais, somos todos os dias levados a diversas situações de opressão, e temos a leitura do Gênesis para nos motivar, nos animar nessa caminhada por dias melhores. Esse texto pode e deve ser instrumento para unir as pessoas através de sua realidade socioeconômica, assim como no passado deve ser o grito dos despossuídos, dos sem dignidade, dos invisíveis. É um texto que deve trazer consciência no meio da tantas situações conflituosas.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Metade



Que a força do medo que tenho

não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito

não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,

mas a outra metade é silêncio.


Que a música que eu ouço ao longe

seja linda, ainda que tristeza

que a pessoa que eu amo

seja pra sempre amada,

mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida

mas a outra metade é saudade.


Que as palavras que eu falo

não sejam ouvidas como prece

e nem repetidas com fervor,

Apenas respeitadas

como a única coisa que resta

a um homem inundado de sentimento.

Porque metade de mim é o que ouço,

mas a outra metade é o que calo.


Que essa minha vontade de ir embora

se transforme na calma

e na paz que eu mereço.

Que essa tensão que me corroe por dentro

seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que penso

mas a outra metade é um vulcão.


Que o medo da solidão se afaste,

e que convívio comigo mesmo

se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto

o doce sorriso que eu me lembro

de ter dado na infância.

Porque metade de mim

é a lembrança do que fui,

a outra metade eu não sei…


Que não seja preciso

mais do que uma simples alegria

para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio me fale cada vez mais.

Porque metade de mim é abrigo,

mas a outra metade é cansaço.


Que a arte nos aponte uma resposta,

mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar

porque é preciso simplicidade

para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é a platéia

e a outra metade, a canção.


E que minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor

e a outra metade… também!

Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Atire a primeira pedra

Atire a primeira pedra
Quem não sofreu, quem não morreu por amor
Todo corpo que tem um deserto
Tem um olho de água por perto

Para ouvir basta abrir os poros
Para aceitar basta oferecer
Para quê adiar um desejo
De alguém que lhe quer tanto beijo

Quem de vocês
Resiste a uma tentação
Quem pretende revogar a lei do coração

Quem ousaria
Dessas vozes duvidar
Deixa a sua natureza se manifestar

quinta-feira, 31 de março de 2011

Nós! Muito mais que eu e você.


Texto: João 4. 1-42

Objetivo: Refletir sobre a nossa responsabilidade na transformação da sociedade. Convivendo com a pluralidade a partir do olhar de Jesus, que nos conduz ao respeito e a partilha com as pessoas distintas a nós.

Com os olhos na vida...

(João Guimarães Rosa, 2001:32)

... Muita religião, seu moço! Eu cá não perco ocasião de religião.

Aproveito de todas. Bebo água de todo rio...

Uma só, pra mim é pouca, talvez não me chegue.

Rezo cristão, católico, embrenho a certo;

e aceito as preces de compadre meu Quelemém,

doutrina dele, de Cardéque.

Mas quando posso, vou no Mindubim,

onde um Matia é crente, metodista:

a gente se acusa de pecador; lê alto a Bíblia,

e ora, cantando hinos belos deles.

Tudo me quieta, me suspende...

A pluralidade Religiosa é o grande desafio do nosso século XXI. Os grupos religiosos reconhecidos institucionalmente ou não, vêm crescendo consideravelmente. Mas paralelo a esses grupos, há também um número crescente de pessoas que se declaram sem-religião. Diante de toda essa pluralidade que os tempos modernos nos lançam em face, o que se deseja é que de forma concreta consigamos vivenciar a superação da hegemonia vivida no século XIX que deixou rastros desastrosos. Somos tentados a querer viver sempre com aqueles que consideramos semelhantes a nós. Mas temos que levar sempre em consideração que a tolerância é exercitada exatamente quando convivemos com aquele que é diferente. O que nos une não é o que temos em comum, mas somos enriquecidos quando realizamos essa troca e aprendemos como as nossas diferenças.

Não podemos ser ingênuos e esperar que um simples apelo a tolerância desarmará o potencial de conflito existente diante de tamanha diversidade. Mas de forma responsável devemos trabalhar pelo bem comum, de forma ativa e criteriosa levando sempre em consideração a complexidade humana.

Com os olhos na vida do texto...

O texto do evangelho de João 4. 1-42 nos traz um diálogo que expressa claramente nossa intenção ao tratarmos deste assunto. Em Jesus observamos o maior exemplo de convivência e respeito. Olhando o texto de perto, podemos identificar variadas formas de preconceitos que são superadas por Jesus. Suas atitudes assustaram até mesmo aqueles que já algum tempo lhe acompanham em sua caminhada, os discípulos.

Uma conversa que gira em torno do simbolismo da água: “água viva”. A água aqui simboliza a experiência religiosa, a própria espiritualidade. E é o assunto que Jesus trata em sua conversa com a mulher de Samaria. Jesus cansado da viagem se senta próximo ao poço de Jacó, mas pouco descansa, quando uma mulher que a Bíblia não denomina, se aproxima. Ela é Samaritana. Veio buscar água, quando é interceptada por Jesus, que lhe pede: “Dá-me de beber.” A princípio, poucas palavras, mas que trazem em si significados profundos. Jesus intercepta uma mulher, lhe Pede algo e lhe dá atenção. Nesse contexto o fato de ser mulher já seria excludente. Se até nos dias atuais as mulheres sofrem ainda com tantos preconceitos, imaginem naquela época. Além de ser mulher, ela é samaritana, outro problema, já que os judeus consideravam os samaritanos impuros e desde muito tempo havia uma situação de tensão entre os dois povos, que não se comunicavam.

A experiência nos mostra que as espiritualidades são plurais, entretanto a intolerância também, as religiões querem dar prova de sua infalibilidade e para isso elas desmoralizam o outro, o diferente. Na busca por fortalecer sua identidade, entendem ser necessário destruir a identidade do outro. Essa é a dinâmica que vivemos hoje. Em contrapartida Jesus se propõe a compartilhar da espiritualidade da mulher, Ele não vem simplesmente julgando ou oferecendo algo, Ele quer ter um contato mais profundo. Partilha: esse é o nome! Jesus quer compartilhar da experiência de fé por ela vivida. E não deixa de oferecer a água da vida, a sabedoria de Deus, com a qual ele irriga as pessoas que amam a Deus. E após todo esse diálogo com a mulher de Samaria e de todas as perguntas que ela lhe fez, Jesus faz a afirmação tão esperada: Não importa onde adorará, o Pai procura os verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Quem são esses a quem o Pai procura? São aqueles que se propõem a viver como Jesus viveu, superando tradições e culturas que possam servir de pretexto para restringir convicções religiosas e as várias formas de manifestações legítimas. Muitas publicações ou afirmações denominadas cristãs são exatamente o oposto de Cristo. Considera-se cristão exatamente as atitudes anticristãs. Quando se tem um retrato de um Deus que separa, castiga, manda, controla, fiscaliza, que reprime, vive-se também uma vida de intolerâncias, uma fé intolerante. Vida oposta ao viver de Jesus. Somos convidados a vive-lá como Cristo. Não abrir mão de nossa identidade, mas sempre pelo caminho da convivência e do respeito, buscar formas para dialogar com o diferente.

Com o texto olhando a vida...

Somos convidados a beber da água, a compartilhar nossas experiências de fé e a entendermos o outro. Somos convidados a lutar pela vida, pela diversidade, pela pluralidade. Somos desafiados a lutar por uma missão que seja sensível às culturas locais, não seja de coerção ou proselitismo, mas que ao contrário seja um sinal do amor reconciliador e inclusivo de Deus em Cristo, abrindo caminhos para um diálogo intercultural e inter-religioso que favoreça sempre a vida.

Thaiana Assis

quarta-feira, 30 de março de 2011

IV Encontro Afro-cristão “Juventude Negra, Sujeito de conhecimento e de direitos”.

O Ministério de Ações Afirmativas Afrodescendentes da Igreja Metodista (3ª. RE), em parceria com a Universidade Metodista de São Paulo e a Faculdade de Teologia e ReJu (Rede Ecumênica da Juventude) promove, entre os dias 1 e 3 de abril, o IV Encontro Afro-cristão, cujo tema será “Juventude Negra, Sujeito de conhecimento e de direitos”. O evento será realizado no Campus Rudge Ramos (Rua Alfeu Tavares, 149, São Bernardo do Campo).

domingo, 26 de dezembro de 2010

NATAL: O dia em que vi Deus (Frei Betto)

Natal é a "despapainoelização" do espírito. É quando o coração torna-se manjedoura, e aberto ao outro, acolhe abraça, acarinha. Violenta-se quem faz da festa do menino Jesus uma troca insana de mercadorias. Quantas ausências nesses presentes!

Em pleno verão, nos trópicos, o corpo empanturra-se de nozes e castanhas, vinhos e carnes gordas, sem que se faça presente junto àqueles que, caídos a beira do caminho, aguardam um gesto samaritano.

Criança em Minas, aprendi com meus pais a depositar junto ao presépio a lista dos meus sonhos. Nada de pedidos a papai noel. No decorrer do Advento, eu engordava a lista: a cura de um parente enfermo; um emprego para o filho da lavadeira; a paz do mundo.

Meu pai insistia para que eu registrasse meus sonhos mais íntimos. Aos oito anos escrevi: "Quero ver Deus". Minha mãe ponderou: "Não basta Nossa Senhora, como as crianças de Fátima?" Não eu queria ver Deus Pai. Nem imagens dele eu encontrava nas igrejas, que exibam, de sobejo, ícones de Jesus e pombas que evocam o Espírito Santo.

Na tarde de 25 de dezembro, meus pais levaram-me a um hospital pediátrico. Distribuímos alegria e chocolates as crianças, vítimas de traumas ou tomadas pelo câncer e outras enfermidades. Fiquei muito impressionado com um menino de 6 anos, careca.

Na saída mamãe indagou-me: "Gostou de ver Deus?" Fiquei confuso: "Só vi crianças doentes", respondi. Ela me ensinou que a fé cristã reconhece que todos os seres humanos são imagem e semelhança de Deus. Por isso é tão difícil ver Deus. Pois não é fácil encarar a radical sacralidade de todo homem e de toda mulher.

Aos poucos, entendi que o modo de comemorar o natal forma filhos consumistas ou altruístas. E descobri que Deus é tanto mais invisível quanto mais esperamos que Ele entre pela porta da frente. Sorrateiro, Ele chega pelos fundos, via um sem-terra chamado Abraão; um revolucionário de nome Moisés; um músico com fama de agitador, Davi; uma prostituta, Raab; um subversivo conhecido por Jeremias; um alucinado, Daniel; um casal de artesãos que, recusado em Belém, ocupa um pasto para trazer o filho a vida, Maria e José.

No evangelho de Mateus (25, 31-46) Jesus identifica-se com quem tem fome e sede, é doente ou prisioneiro, oprimido ou excluído. Aqueles que para os "sábios" são a escória da sociedade, para Deus são os convidados ao banquete do Reino.

Desde então, aprendi que Natal é todo dia, basta abrir-se ao outro e a estrela que, acima das mazelas deste mundo, acende a esperança de um mundo melhor. Sonhar com um mundo em que o Pai Nosso transpareça na grande festa do pão nosso. Pois quem reparte o pão partilha Deus.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS


1º de dezembro Dia Mundial de Combate à Aids

Epitáfio

Sérgio Britto

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...(2x)

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Rio de Janeiro, novembro e dezembro!!!

Oi gente,
faz um tempinho que não apareço por aqui, muitas provas, trabalhos e os afazeres da comunidade de fé tem deixado os dias cheios e cansativos! Mas diante da situação que estamos vivendo nos últimos dias em relação ao Rio de Janeiro, nossa Cidade Maravilhosa, resolvi compartilhar esse texto com vcs.


Rio de Janeiro: Não haverá vencedores


Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar. Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida. Só conhecem a barbárie.
A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa. As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora.
A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra.
O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores. Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo.
Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz. Essa analogia à data histórica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática.
Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas? É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve.
Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza -onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna "guerra" entre o bem e o mal.
Como o "inimigo" mora na favela, são seus moradores que sofrem os efeitos colaterais da "guerra", enquanto a crise parece não afetar tanto assim a vida na zona sul, onde a ação da polícia se traduziu no aumento do policiamento preventivo. A violência é desigual.
É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer. O poder público não recolhe o lixo nas áreas em que a polícia é instrumento de apartheid. Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela.
Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fábrica, na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente - com as suas comunidades tornadas em praças de "guerra" - não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz. Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário...

*Marcelo Freixo - professor de história, deputado estadual (PSOL-RJ), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 28-11-2010.